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Rubinho
santanarubens@hotmail.com
O xis com kid

 

Linha Cruzada

 

E houve um tempo em que as ruas 6 de agosto e 17 de novembro eram chamadas de “rua da frente” em Xapuri.
Da frente por que delas avistava-se o rio, a principal porta de entrada e saída da Princesinha. Onde se localizavam as principais casas comerciais, atracavam os barcos da frota da Casa Zaire, da Limitada, Casa Kalume, as barbearias, o mercado. Vez por outra, atracava também João Barrão e seu barco enfeitado com bandeirolas e seus alto falantes.
Era onde a vida pulsava mais forte.
Em frente à rua Major Salinas, o espaço entre a rua de chão batido e a margem do rio tornava-se largo e era propício a usos diversos por seus moradores: lazer, criação de animais, plantio, atracadouro de canoas dos pescadores, e o que mais lhes aprouvesse.
Onde hoje está localizada a sede da Sucam, erguia-se um conjunto de casas geminadas pertencente a Guilherme Zaire, e moravam Isaac, Zé Manduca e Valdir Seboseira.
Bem em frente, reinava absoluto um frondoso tamarindeiro cuja sombra cobria toda a largura da rua e parte do telhado do casario. O chão varrido prestava-se ao lazer: futebol, peteca, pião, arraial, fogueira...
Próximo à casa de Zélia Abuache, morava seu João Dantas e, entre eles, morava D. Zezé que vem a ser irmã de Hilário Candiru e mãe de dois filhos Francinete e José Eugênio.
Francinete, ainda menina e tentando ajustar-se ao ambiente urbano, vivia pelas redondezas a perguntar de tudo a todos. Às vezes era apenas pra puxar papo mesmo, pois que, até hoje, fala pelos cotovelos. A genética explica.
Numa destas, a Francinete estava sentada num banco que havia embaixo do tamarindeiro crivando ao Isaac de perguntas, até que o papo foi minguando. Para reengatar a conversa, a menina correu olhos ao redor, e, algo aflita, o único fato que percebeu e que ainda não tinha sido tema da conversa, foi o pastar de uma vaca e uma ovelha em frente à casa de Hélio Rodrigues.
Voltou à carga:
- “Seu Isaac, aquela ovelha é filha daquela vaca?”
O Isaac possuía um senso de humor afiado como navalha Sollinger e nunca perdia a piada, mesmo sob pena de perder o amigo. Mas já com a cabeça cheia das perguntas da menina, apelou feio:
- “É sim, nega burra!”

Um dos objetivos deste site é registrar os fatos do dia-a-dia xapuriense, e evitar que estes continuem a ser veiculados apenas oralmente.
A crônica de hoje, nos traz um exemplo de como este tipo de transmissão pode causar interferências e deturpações na história de um lugar.
Por volta de 1967, assumiu a direção da agência dos correios de Xapuri um senhor baixinho, calvo, magricela, bigode fininho, nariz grande e tal.
Parecia o Amigo da Onça, personagem de charges da antiga revista O Cruzeiro. 
O sistema escolar disponibilizava ensino apenas até a 4ª série do antigo ginásio. Em termos mais modernos, apenas o ensino fundamental.
O senhor agente e seus 30 anos, depois de passar por longa entrevista com Madre Paula Grezzelle, conseguiu matrícula e retomar os estudos.
Foi jogado no meio de uma turma de adolescentes gozadores, com idade por volta dos 15 a 16 anos: Tadeu Camelo, Mário Evangelista, Capotinho, João Paes, Chico Almeida, Tião Facadinha, José Maria Calixto, e Cardosinho. Este, ainda sem o status de Camaleão Colorido.
A turma já adquirira experiência em compartilhamento de bancos escolares com pessoas acima de sua faixa etária, pois, desde o início do ginásio tinha o falecido Valdir Maciel como colega.
O apelido Seboseira vem desta fase e foi-lhe dado, impiedosamente, por Tadeu Camelo.
Gogão, também é de sua lavra.
Nesta época e faixa etária, o principal elemento de identificação deste grupo social era a leitura obrigatória de gibis de faroeste do tipo bolsilivro. Quem não lia gibi de bolso, os bang-bang, estava fora:
- Prá falar sobre o quê?! 
Pois bem, após as apresentações protocolares, o agente de correios acomodou-se em sua cadeira, e a aula seguiu seu curso.
Na hora do recreio, com o gelo irremediavelmente quebrado, Cardosinho decretou:
- Porra! Tu é a cara do Cisco Kid!
Devido ao barulho das conversas paralelas, os ouvidos entenderam e gostaram de:
- Xis com Kid.
Pegou na hora!
O sisudo colégio de freiras esqueceu o nome do sujeito: colegas de outras turmas, professores, funcionários, quando a ele se referiam, era na base do:
- Xis com Kid!
Até mesmo as freiras, de maneira mais formal:
            - Senhor Xis com Kid, por favor...
Já pros gozadores colegas, mais íntimos, era sóo Xis.
O apelido desceu os corredores e ganhou as ruas; adquiriu personalidade e tornou-se maior que seu dono!
Indomável, poucos dias depois, uma senhora ao perguntar pelo agente de correios, apresentou uma versão ainda mais bizarra:
- O senhor Arroz com kibe, está?
Ah!O nome verdadeiro? Até hoje, não sei!

 

Rubinho
santanarubens@hotmail.com

 

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O todo e as partes
Depois de um longo período de férias, eis que xapurionline está de volta, e por conta de uma questão ainda distante de findar e que envolve a empresa que nos prestava serviços de hospedagem, nosso domínio está modificado, não apresentando o BR final. Somos agora um domínio internacional.
Neste período de hibernação, tomei ciência, através do blog Xapuri Agora, de responsabilidade de nosso irmão Raimari Cardoso, que o estado de abandono administrativo iniciado há décadas, insistentemente permanece em nossa cidade.
Vi as labaredas da justa indignação, nos argumentos alinhavados por Éden Mota ao questionar a falta de investimentos em obras de pequeno porte nas ruas do entorno da casa de Chico Mendes – principal destino de nossos visitantes.
O problema ali, não é apenas estético; mas sim, ambiental: toda a área constitui-se em desaguadouro de praticamente toda a drenagem de Xapuri.
Entre as ruas Major Salinas e Dr. Batista de Morais, desde o Hospital Epaminondas Jácome, passa a rede de drenagem de uma área baixa e alagadiça.
A esta, se junta outra rede que passa por baixo da praça em frente à igreja.
E finalmente, toda baixada por trás da rua Pio Nazário é drenada na mesma direção das duas anteriores.
Na época em que foram construídas – administração de Júlio Figueiredo ou Édson Dantas – não havia a disponibilidade das manilhas de concreto armado. Toda obra foi feita utilizando-se apenas tijolos e argamassa. Pindoba ainda aí está prá confirmar. Se outra rede foi construída ou esta sofreu melhorias, não é de meu conhecimento.
Mas o que importa mesmo é o volume de água que é despejado sobre as margens nuas de um rio jovem como o Acre, que ainda nem mesmo definiu seu curso que vagueia sobre sedimentos pouco consolidados.
A junção das três redes de drenagem – que coletam também esgotos residenciais - é exatamente na área atrás da casa de Chico Mendes.
Há alguns anos, durante aula de campo com meus alunos de Hidrografia fomos abordados nesta área por Ildefonso Praxedes, o Gastura, que me perguntou sobre medidas a ser tomadas para minimizar os efeitos da erosão em seu terreno.
Mostrando a ele as dimensões dos ravinamentos e voçorocamentos causados pelo escoamento das águas, respondi-lhe:
- Que terreno?! Você já não possui mais nenhum terreno!
Com isto quero alertar que, se não houver uma intervenção imediata e eficaz, a erosão dissolverá toda a área final do sistema de drenagem. Ali, não cabem mais paliativos!
Também li a opinião de Mestre Baratinha sobre a ausência de protagonismo por parte da população xapuriense. Assino embaixo. Temos que tomar nosso destino nas próprias mãos, juntar com quem pensa parecido ou tem os mesmos objetivos, ideais, sofre com problemas semelhantes. Olhar mais para o que nos une e menos para o que nos separa. Perfeitamente alinhado com a visão de Mestre José Porfiro.
Vamos começar por resolver os problemas mais comuns e simples; depois os mais complexos. As nossas diferenças podem ser minimizadas, pelo menos por enquanto.
Um bom exemplo desta atitude proativa é a reedição do Resgate Cultural – O Baile que se realiza no próximo dia 05 de dezembro por iniciativa do bom xapuriense Magão e colaboração de muita gente boa que se importa com sua terra. É simples, basta querer fazer e tirar um pouquinho de seu precioso tempo. Vale o esforço!
Pode vir a ser um festival anual de música, e como sugere Mestre Porfiro, poderíamos cooptar outros músicos das cidades vizinhas, e em vez de uma noite, o evento poderia estender-se final de semana adentro e com vários estilos e gêneros musicais. Tem prá todo gosto!
Outro exemplo é o de Mariete Costa, que ano após ano, encarrega-se da ornamentação do andor de São Sebastião no dia de sua festa. Parece coisa à toa; mas não é. Precisa ter compromisso, gasta com transporte, com os enfeites. Mas é feito com tanta alegria e desprendimento, que me deixa encabulado: Porque não fui ajudar?
Professora Aurélia Castelo juntou seus esforços a Otávio e juntos reergueram a capela do Entroncamento, sem alardes, à surdina. São atitudes como estas que merecem nosso reconhecimento.
- Pode fazer? Então faça!
Os Filhos e Amigos de Xapuri, por enquanto é apenas uma abstração, uma idéia, um sonho. Só se materializará quando congregar o máximo de mentes e braços dispostos a mudar os destinos de nossos irmãos.
- Você é filho ou amigo? E tá esperando o quê?!
Finalmente, devemos ter sempre em mente, que o poder público terá sempre seus parceiros preferenciais, independentemente de matiz ideológica! Tem donos e obedecerá sempre a eles.
Portanto, a sociedade é que deverá organizar-se a fim de tornar visíveis seus anseios e problemas. Observemos o grupo da Sibéria que trabalha com sabão. Vamos beber da mesma água que Carmita. Esta pode ajudar, e muito!
O somatório de tudo isto será muito grande; mas ainda será menor e menos rico que suas partes componentes.
Rubinho
santanarubens@hotmail.com
O Acerto de contas
Rubinho
santanarubens@hotmail.com
A década de 70 estava pela metade e a ditadura militar estava em seu ápice. Os Governadores dos Estados situados dentro da área de segurança nacional eram nomeados diretamente pelos Generais-Presidentes.
Aos Governadores, cabia a prerrogativa de escolher os prefeitos dos municípios dentro de sua jurisdição político-administrativa.
E por isto, de um dia para outro, desembarcou de um Chevette amarelo urrante, um jovem economista de vastos bigodes e sorriso fácil. Viria a tornar-se um dos melhores administradores que Xapuri jamais viu. Era Ivonaldo Portela.
Incentivou o esporte que andava em baixa; a zona rural recebeu investimentos como açudagem, abertura e conservação de ramais; e a vida social xapuriense voltou a ser interessante, com o recrudescimento dos bailes tradicionais: Hawaí, Flores, Debutantes, formaturas. Xapuri brindava a seus visitantes com uma ebulição social que rivalizava com Rio Branco. Modernizou Xapuri; foi a primeira vez que ouvi falar em Planejamento Estratégico.
Todos os clubes de futebol receberam recursos públicos, indistintamente. Tanto fazia ser da primeira, segunda ou terceira divisão. Ivonaldo, louco por futebol, apadrinhou ao Brasília. Alicio, ao Santiago. O América, apadrinhado pela família Mota, só prá variar.
A nossa rotina de jovens numa cidade pequena e sem empregos para todos, era bater uma bolinha a partir das 4 da tarde até o Chico Macedônio dar a deixa:
- Tá na hora da sopa. E lá em casa só tem garfo!
À noite, estudar na escola Pe. Felipe Gallerani. Conversar na praça, namorar.
Farras, apenas nos finais de semana e após os jogos. E em caso de vitória.
As comemorações do Santiago eram na casa de Alicio. As do Brasília, num primeiro momento, aconteciam no bar Pau-no-Meio, de propriedade de Tião Macedônio, que integrava a equipe.
Nestas ocasiões, até gato e cachorro participavam. Depois titio Ivonaldo acertava tudo.
Para ter um mínimo de controle, ficou acertado entre os mesmos que o consumo teria como comprovação as tampas das garrafas de cerveja e refrigerantes.
E na segunda-feira, chegam à Prefeitura, Tião e um saco plástico de 2 Kg cheio de tampinhas até a boca.
E toca a contar tampinhas:- 1, 2, 3...10...60... Estranhando o elevado consumo, Ivonaldo aproximou-se um pouco mais, examinou a provas mais detidamente e soltou:- Mas Tião, até esta, TODA ENFERRUJADA?!